quarta-feira, 24 de março de 2010

Movimento por Cursinhos Gratuitos em Escolas Públicas

Muito bem,
Agradeço a todos que estão dispostos a lutar pelo acesso democrático à educaçao de nível superior. Não é justo que num país onde se prega as palavras de igualdade perante a lei, de igualdade de oportunidades, que a maior parte da população brasileira que não tem dinheiro para pagar cursinhos, continue sem direito a ingresso nas universidades públicas. Na USP cerca de 80 por cento dos alunos por algum momento tiveram que pagar pra chegar até a univerdade. Ou seja, 80% são de escolas particulares, o que representa uma minoria que estuda em colégios particulares. Isso é uma injustiça e não podemos aceitar.

Fazemos o convite a todos estudantes , professores e organizações estudantis a se mobilizarem pelo direito a universidade.

Muito se fala que temos que melhorar a qualidade do ensino regular e nao precisariamos de cursinhos para chegar até a universade, mas se olharmos para o panorama da educação nos últimos anos veremos que essa realidade está cada vez mais longe.


É justo que nossos melhores cerebros sejam desperdiçados por que não têm dinheiro?

É justo negar essa proposta acreditando que a educação pública vai melhorar a curto prazo?

É justo que a classe média e alta tenha acesso aos melhores recursos e professores?

Escola pública para todos , igualdade para todos!

Comunidade no ORKUT - CURSINHOS GRATUÍTOS NAS ESCOLAS
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=99940385

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A População carcerária nos EUA

A imensa população carcerária dos EUA cresce sem parar

Por Tom Carter
19 Dezembro 2006

Este artigo foi publicado no WSWS, originalmente em inglês, no dia 07 de dezembro de 2006.

Um relatório publicado no dia 01 de dezembro pelo Bureau de Estatística Judiciais (BJS) do Departamento de Justiça, divulga a expansão da vasta população carcerária nos EUA. Num país cujo governo reivindica para si, perante a humanidade, o título de principal democracia do mundo, quase 2,2 milhões de pessoas estão atrás das grades. Este número cresce a uma taxa insustentável.

De acordo com o relatório intitulado "Prisioneiros em 2005", havia 2.193.789 pessoas encarceradas nos Estados Unidos até dezembro de 2005. Mais 4,1 milhões estavam presos temporariamente e cerca de 800.000 em liberdade condicional. Estes números totalizam mais de 7 milhões de pessoas—o que representa 1 em cada 32 norte-americanos adultos—que estariam sob algum tipo de supervisão do sistema carcerário dos EUA, em dezembro do ano passado.

O relatório completo pode ser encontrado no site do BJS aqui. http://www.ojp.usdoj.gov/bjs/abstract/p05.htm

Desde que o governo decidiu tornar-se "duro contra o crime", a população carcerária dos EUA cresceu rapidamente. O maior crescimento ocorreu durante os governos Clinton e Bush, que cortaram programas sociais aos pobres e impostos para os ricos e passaram a idolatrar o mercado.

A crise social, a polarização e o desaparecimento de oportunidades econômicas, enfim, todos estes fatores foram acompanhados por um crescimento no número de crimes menores e no do uso de drogas. Este último foi combatido ostensivamente pelo governo através da expansão do sistema carcerário e do aumento da imposição de sentenças obrigatórias para crimes não-violentos, como o porte de drogas, transformando um mero "portador" num criminoso em potencial.

Hoje, os EUA possuem a taxa de encarceramento mais alta do mundo. De acordo com o relatório do BJS, de cada 100.000 pessoas que vivem nos EUA, 737 estavam presas no final de 2005—mais do que os 725 do ano anterior e do que os 605 em 1995. Em outras palavras, um em cada 136 homens, mulheres e crianças nos EUA está atrás das grades.

No ano passado, o maior crescimento da população carcerária ocorreu nas áreas mais pobres e rurais do país. Em 2005, na Dakota do Sul esta população cresceu 11%, em Montana 10,9% e em Kentucky, 10,4%. No total, a população carcerária do país cresceu por volta de 2%.

Tanto o racismo quanto a precariedade econômica têm sido responsáveis pela proporção incrivelmente alta de negros nas prisões. Dos homens negros de 25 a 29 anos, 8,1% estão presos atualmente. Comparativamente, 2,6% dos hispânicos e 1,1% dos brancos encontram-se nessa situação.

Em geral, os homens têm 13 vezes mais chances de serem presos do que as mulheres, atualmente. No entanto, isto vem se transformando lentamente. O número de mulheres presas cresceu 2,6% no ano passado, enquanto a taxa para os homens foi de 1,9%. Desde 1995, o número de presos do sexo masculino cresceu 34%, enquanto que para o sexo feminino, a taxa de crescimento foi de 57%. Isso tem sido atribuído à imposição de sentenças mais duras a crimes como uso de drogas, como a crimes de associação—muitas mulheres estão atrás das grades simplesmente por namorarem ou serem casadas com homens acusados de ser portadores de drogas.

Ao considerarmos estes números, é importante que lembremo-nos das deploráveis condições dentro das próprias prisões. Nas penitenciárias maiores, permanentemente superlotadas, a AIDS, as doenças mentais, os ataques físicos e sexuais e a dependência química estão sempre presentes. O relatório do BJS aponta que prisões federais funcionam 34% acima de sua capacidade máxima prevista.

Outro aparente desenvolvimento digno de nota, segundo o relatório, é o número de pessoas em prisões militares, que aumentou a uma taxa três vezes maior em comparação ao aumento ocorrido dentro das outras prisões, no ano de 2005. Apesar de o número de presos militares ser relativamente pequeno—por volta de 2.300 - seu crescimento foi acentuado: 6,7%.

As penitenciárias representam um grande negócio nos EUA—esta indústria movimenta sozinha 40 bilhões de dólares por ano. Recentemente, os sistemas carcerários estaduais superlotados começaram a buscar a parceria com empresas privadas no alojamento de presos, sendo que algumas dessas empresas obtiveram com isso grande sucesso. Estas prisões, que visam o lucro - como seria de se esperar - tornaram-se notórias por violar direitos constitucionais básicos daqueles ali encarcerados.

O número de pessoas nessas prisões privadas também cresce rapidamente. Durante o ano de 2005, o número de presos federais nessas condições cresceu 9,2% e o de estaduais, 8,8%. Por toda parte, cerca de 107.000 presos no país estão em prisões-empresas. Além disso, muitas prisões contratam serviços, como alimentação, higiene e vestuário.

Deve-se notar que essas mesmas empresas foram requisitadas para gerenciar o crescente número de prisioneiros quando os norte-americanos precisavam de cadeias no Iraque—direcionando dezenas de milhões de dólares por meio de contratos de defesa.

Como balanço final, cabe salientar que os números publicados no relatório expressam a realidade de uma sociedade em estágio avançado de decomposição.

Nos Estados Unidos, encontram-se níveis de desigualdade social de proporções únicas e históricas. Atualmente, nos EUA, vive um maior número de bilionários do que em todo o resto do mundo—mais da metade da população bilionária do mundo. Pouco mais de quatrocentas destes bilionários controlam mais de 1,25 trilhões de dólares.

Nos EUA, a renda média de um diretor-executivo é centenas de vezes maior do que o salário médio de um trabalhador. Uma pequena camada situada no topo da sociedade norte-americana vive em condições de luxo e extravagância, possui um modo de vida incompreensível para a grande maioria da população. Esta pequena camada controla, respaldada na sua enorme riqueza, as principais instituições políticas, sociais e econômicas dos EUA.

Esta camada social, quando encontra um problema social complexo, é totalmente incapaz de resolvê-lo de uma maneira progressista; sua reação expressa geralmente ignorância e falta de visão, por um lado, e brutalidade por outro.

Diante a uma sociedade prestes a desmoronar, essa elite reage incriminando e aprisionando proporções cada vez maiores de sua própria população.

 

 

 

 

WSWS.ORG

 

Estudo revela que população carcerária é formada por maioria hispânica nos EUA

19/02/2009 - 11:16 - The New York Times

 

Os latinos representam a maior população étnica no sistema carcerário federal, totalizando 40% dos condenados por crimes federais, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira pelo Centro de Pesquisas Pew, uma organização não partidária.

Os latinos representavam apenas 13% da população adulta dos Estados Unidos em 2007, mas totalizavam um terço da população carcerária no mesmo ano, um resultado que o estudo atribui ao aumento na imigração ilegal e maior rigidez na aplicação das leis imigratórias.

Quase metade dos ofensores latinos, ou cerca de 48%, foram condenados por crimes relacionados à imigração, enquanto ofensas relacionadas às drogas representam a segunda acusação mais prevalecente, de acordo com o relatório.

Enquanto o número de ofensores federais mais do que duplicou entre 1991 e 2007, o número de ofensores latinos quadruplicou, de 7.924 para 29.281.

Dos ofensores federais latinos, 72% não são cidadãos americanos e a maioria foi condenada em cortes de Estados que fazem fronteira com o México. Prisioneiros federais que são imigrantes ilegais são geralmente deportados para seus países de origem depois que cumprem suas sentenças.

"O sistema imigratório se tornou essencialmente criminalizado às custas do sistema judicial, para cortes, juízes, prisões e promotores", disse Lucas Guttentag, advogado do Sindicato Americano de Liberdades Civis. "E o governo divergiu os recursos do sistema de justiça criminal de crimes violentos, negócios escusos e outras áreas que antes representavam o palco de atuação do Departamento de Justiça".

No mês passado, o The New York Times reportou que os processos federais sobre imigração aumentaram nos últimos cinco anos, duplicando no último ano fiscal para mais de 70,000 casos. Enquanto isso, outras categorias de processos federais, como o tráfico de armas, a corrupção pública e crimes do colarinho branco, declinaram no mesmo período.

- SOLOMON MOORE

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Projeto Evadidos

Liberdade

I= introdução
B= Verso cantado
C= Break para solos e dedilhados
R= Refrão

Estrutura
I= B D G E - B D G E - B D G E - B D G E - Solo de introução

R
Liberdade, aonde está vocÊ?
Liberdade, Sem ela nao posso viver

B
País das terras férteis
Das idéias que desaparecem
Da propriedade do senhor

País dos desempregados
Dos empregados desesperados
Ao menos eu aqui irei gritar!

R= liberdade...

C = Dedilhado - 4x B D G E


E a vontade de queimar
O congresso nacional
Que continua a reinar
Escondido no Planalto central! Então eu grito!

R = Liberdade...

C= Solo e dedilhados 6x BDGE

A liberdade de ir e vir
Se o dinheiro puder pagar
O dever de votar
O direito de se calar
então eu grito!


O que eles querem de você

I = 4x A D# D A C Bb - Solo de introdução

B
Acorda bem cedo
Vai pra escola ou pro trabalho
Veste o uniforme
Ou a farda de soldado

Agora você, leva as mãos para a cabeça
Agora você, cale a boca e não se esqueça

4xR

Que é isso o que eles querem de você...

2xI

B

Sempre acudado
Você está desempregado
Quando empregado
Faz papel de otário

Agora o patrão
põe a mão na sua cabeça
Agora você, controlado,
não se esqueça!

4x R= Que é isso o que ....

C = Solo

B
Sempre atrasado
Está preso a um semafora
Escravizado dia a dia no trabalho
Atordoado você cai em uma crença
Agora você reze muito e obedeça!

2xR É isso o que eles querem de você!

Sempre drogado você está conformado
Com muito açúcar, bebidas e cigarro
Agora você leva as mãos para a cabeça
Agora entorpecido, cale a boca e obedeça!


B

Sempre sorrindo
você está sendo filmado
Quando filmado faz pose de otário
Agora a tevê lhe faz a cabeça
Agora filmado , vigiado , obedeça!

2xR

I = Solo final identico à introdução

A Marcha para a Escravização

I R I

Humanos cultivados entre grades
Todos Buscam a satisfação
Atrás de uma mentira que é verdade
Domingo é dia de televisão

Em construção...


HABEAS CORPUS

Corpos no chao, vidas em vao,
e a minha cabeça nao encontra soluçao







segunda-feira, 24 de agosto de 2009

MST


MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, mais conhecido como Movimento dos Sem Terra, sigla MST, é um movimento de massas que luta, basicamente, por terra, pela reforma agrária e por mudanças na sociedade.

A sua origem encontra-se nas lutas isoladas pela terra no sul do Brasil, destacando-se as ocupações das Fazendas Macalli e Brilhante, em 1979, no Rio Grande do Sul; da Fazenda Burro-Branco, em Santa Catarina e da Fazenda Primavera, em Andradina, São Paulo, ambas em 1980. Também no Rio Grande do Sul, em 1981, 700 famílias acamparam em Encruzilhada Natalina, município de Ronda Alta.

De 21 a 24 de janeiro de 1984, realizou-se o primeiro Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que contou com a participação de representantes de doze estados. Constitui-se definitivamente como um movimento nacional a partir do 1º Congresso Nacional, realizado em Curitiba, Paraná (29 a 31 de janeiro de 1985), quando 23 estados brasileiros estiveram representados através de 1.500 delegados.

As ocupações, definidas como a forma mais eficiente de se alcançar a reforma agrária, foi uma decisão política adotada nesse Congresso. E, como palavras de ordem, surgiram: Reforma Agrária na Lei ou na Marra e Sem Reforma Agrária não há Democracia.


Como seus objetivos gerais, o MST ressalta:

· A construção de uma sociedade sem exploração e sem explorados, com supremacia do trabalho sobre o capital.

· A luta para que a terra esteja a serviço de toda a sociedade e não de um pequeno grupo de investidores extrangeiros;

· A garantia de trabalho para todos e a justa distribuição da terra, renda e riquezas;

· A busca permanente da justiça social e da igualdade de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais;

· A difusão de valores humanistas e socialistas nas relações sociais;

· O combate a todas as formas de discriminação social e a busca da participação igualitária da mulher.


Apesar das dificuldades, o MST passou a contar com o apoio de estudantes e membros da igreja. Nos anos de 1991 e 1992, o movimento se volta para a Zona da Mata, sendo invadidos engenhos em Gameleira, Água Preta, Bonito, Itaquitinga e Timbaúba.

A história do MST em Pernambuco é marcada por dois acontecimentos de janeiro de 1992: a eleição da primeira coordenação estadual do movimento e a ocupação da Fazenda Pedra Vermelha, em Arcoverde, que, mesmo com o despejo das 250 famílias participantes, garantiu força política e recursos humanos para a grande ocupação da Zona da Mata Sul, em 27 de abril, com mais de 400 famílias, no Engenho Camaçari, no município de Rio Formoso.

Os anos de 1993 e 1994 assinalaram as primeiras ocupações da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra e os questionamentos do MST em relação à cultura da cana e a proposição de substituição desta produção pela reforma agrária e diversificação da produção agrícola. A partir de 1995, ocorre a expansão do movimento, com ocupações em Gravatá, Barra de Guabiraba, Vitória de Santo Antão, Caruaru, Rio Formoso, entre outros.

A organização das regionais e o fortalecimento de setores do MST começam em 1997, com ampliação da capacidade de massificação das lutas pela terra, com ocupações, marchas e pressão nos órgãos públicos.

O Movimento dos Sem Terra pode ser apontado como responsável pelo ressurgimento da questão da reforma agrária na consciência nacional, e tem demonstrado ser também um movimento político e ideológico. Para obter maior visibilidade perante a opinião pública e aumentar o seu poder de pressão junto aos poder público, passou a invadir bancos e empresas privadas, além das invasões de terras, participando de saques a supermercados e de seqüestros de caminhões que transportam gêneros alimentícios. Os seus líderes proclamam: o objetivo do MST é mudar o modelo da sociedade.

A partir dos anos 90, quando entidades religiosas da Europa, maiores doadores do MST, voltaram-se para apoiar projetos assistenciais no Leste Europeu, o movimento vem passando por dificuldades financeiras. Além deste aspecto, houve o esgotamento de uma causa que cresceu baseada na luta contra os latifúndios improdutivos, hoje praticamente inexistentes, acarretando um esvaziamento de suas fileiras. O MST começou, então, a recrutar “militantes” até nos centros urbanos, como ocorreu no acampamento do Pontal de Paranapanema, em São Paulo. Pessoas, muitas vezes, sem qualquer afinidade com a terra.

Tais fatos fizeram com que o MST passasse a depender, primordialmente, de verbas do Estado. Paradoxalmente, cresceu o número de invasões nos últimos meses. No lado oposto, os fazendeiros formam grupos armados com o objetivo de impedir a ação dos sem-terra.

Paralelamente a formação do MST formou-se uma sociedade elitista contra a reforma agrária. A UDR, União Democratica Ruralista, entidade formada por grandes fazendeiros , latifundiários milhonários que se organizam contra as ações do MST e contra a reforma agrária.







Permacultura


Grupo de Permacultura da UFSC

O que é a Permacultura?

"Permanent Agriculture" em inglês - nasceu na cabeça de Bill Mollison, ex-professor universitário australiano, na década de 1970. Refugiado das loucuras da sociedade de consumo, Mollison percebeu que nem os cantos remotos do interior australiano onde morava seria poupado do colapso planetário iminente - a flora e a fauna estavam diminuindo sensivelmente...
"Resolvi", falou Mollison na sua passagem pelo Brasil em junho de 1992, "que, se voltasse para o mundo, voltaria com uma coisa muito positiva".

Foi assim que nasceu a idéia de criar sistemas de florestas produtivas para substituir as monoculturas de trigo e soja, responsáveis pelo desmatamento mundial. Observando e imitando as formas de florestas naturais do lugar, revelou-se possível a criação de sistemas altamente produtivos, estáveis e recuperadores dos ecossistemas locais.

Depois de dez anos implantando, com grande sucesso, tais sistemas em todos os continentes, Mollison e seus colaboradores perceberam que não adianta concentrar-se em sistemas naturais sem considerar os outros sistemas tão vitais para a sobrevivência humana: sistemas monetários, urbanos (arquitetura, reciclagem de lixo e águas), sociais e de crenças. A "Permanent Culture".

Hoje a permacultura conta com mais de 10.000 praticantes em todos os continentes e mais de 220 professores trabalhando em tempo integral. A permacultura chegou no Brasil através do primeiro curso dado por Bill Mollison, em Porto Alegre. Hoje existe uma equipe de profissionais - agrônomos, engenheiros, arquitetos, etc. - que estão se aprofundando nestas idéias e que já fundaram o primeiro sistema LETS de troca de serviços da América Latina.

Baseada na prática de "Cuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes" (quer sejam dinheiro, tempo ou informações), a permacultura ousa acreditar na possibilidade da abundância para toda a humanidade através do uso intensivo de todos os espaços, através do aproveitamento e geração de energia, da reciclagem de todos os produtos (acabando assim com a poluição) e através da cooperação entre os homens para resolver os grandes e perigosos problemas que hoje assolam o planeta.


Princípios da Permacultura - Princípios Éticos:

  1. Cuidados com o planeta
  2. Cuidados com as pessoas
  3. Compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos)
  4. Limites ao consumo

Quando criamos sistemas auto-sustentados, não precisamos trabalhar para alimentar e proteger os elementos do sistema. Uma floresta produtiva, uma vez estabelecida, exige muito pouco cuidado para se manter, Comparados com as monoculturas, sistemas altamente artificiais que nunca ocorrerão na natureza, sistemas permaculturais que se aproximam da natureza não precisam de adubo, irrigação nem defensivos. Produzem séculos a fio e melhoram cada vez mais o solo, recuperando também o regime das águas da região.

Podemos incorporar animais nestes sistemas se criarmos condições de vida parecidas com aquelas do habitat natural do animal. Tomando o exemplo da galinha, percebemos que é a natureza da galinha de pastar e de ciscar, de comer uma grande variedade de verduras, grãos (pode ser sementes de capins) e insetos. Elas vivem em bandos e sempre dormem no mesmo lugar, no alto. São relativamente resistentes ao frio, mas temem o calor, exigindo sombra. Sofrem predações de gaviões e raposas, precisando de uma boa proteção.

Analisando estas necessidades do animal, podemos muito bem criar uma floresta forrageira para galinhas, incorporando árvores frutíferas (amora, goiaba, acerola, etc.), com verduras rasteiras e grãos (milhetos, capins, etc.), criando um pasto equilibrado onde a galinha se alimenta e se protege. O único trabalho que sobra para o homem nestas condições é de coletar os ovos e vigiar o estado do pasto e dos animais. Uma vez estabelecido, este sistema dura muitos anos com o mínimo de investimento, dando lucro maior do que as granjas industrializadas que exigem altos investimentos em insumos e medicamentos. E, obviamente, a qualidade dos produtos será muito maior.

Scott Pittman

O homem está longe de aproveitar plenamente os seus dons criativos. No planejamento de uma propriedade, reflexão e observação podem mostrar soluções engenhosas para os problemas, evitando gastos e trabalho. Podemos aproveitar ao máximo a força da gravidade, por exemplo, para a distribuição da água, colocando áreas de captação no alto da propriedade em vez de colocá-las, como muitos fazem nas baixas, e depois depender de bombas, Ou podemos observar que os animais de modo geral depositam mais esterco de noite do que de dia. O gado pode pastar nas áreas ricas das baixadas durante o dia e dormir em estábulos no alto da propriedade, retransportando assim os nutriente para o alto da propriedade, de onde, com a ajuda da força da gravidade, a distribuição se torna mais fácil.

Precisamos ter a coragem de criar soluções totalmente diferentes dos vizinhos. E precisamos perceber que nenhum sistema é perfeito: sempre tem espaço para mais um elemento, para mais uma função, muitas vezes simplesmente conectando dois elementos já existentes. O limite do sistema é a nossa criatividade.

Problemas apontam situações especiais que podem ter uma função única. Se uma área é árida, por exemplo, pode-se especializar em plantas da família dos cactos, como o Figo da Índia ou a cochonilha, um inseto que produz uma tinta valiosa e que se desenvolve no cactos Opuntia. Se uma encosta é pedregosa, ela pode oferecer condições especiais para certas plantas que não de adaptariam em outra áreas mais férteis da propriedade. Se as lavouras sofrem ataques de caracóis, sinal que esta região se presta para a criação destes. Todo problema aponta para uma oportunidade. É questão de enfoque.


A estabilidade de uma propriedade ou de uma comunidade depende da disponibilidade de uma gama de produtos espalhados ao longo do ano. Isto protege contra desastres climáticos, porque no caso de qualquer emergência (seca, tempestade), alguns dos produtos vão escapar, devido a uma resistência maior, ou devido ao fato de crescer em épocas diferentes. Deve-se sempre cogitar culturas de emergência, garantidas de dar alguma produção mesmo sob condições adversas. Os povos antigos fazem policulturas por este motivo. Policulturas que incorporam árvores no sistema são as mais estáveis do todas. Uma floresta produtiva dificilmente se abate com a seca ou com o granizo.


Quando uma parte do sistema sustenta outra, evita-se a necessidade de procurar insumos fora da propriedade, fortalecendo assim todo o sistema. Da mesma maneira, uma comunidade inteira ganha estabilidade quando os produtos circulam localmente, evitando assim perdas por desperdício ou sangria para uma metrópole central. Considerando, por exemplo, que um terão dos produtos agrícolas no Brasil se perdem antes de chegar à mesa do consumidor, podemos ver a importância do consumo local, que assegura que o que se produz não se perde no processo de transporte e distribuição.

Da mesma maneira, se numa comunidade o mesmo dinheiro troca de mãos muitas vezes, isto tem o mesmo efeito de ter uma quantidade muito maior de dinheiro disponível. Se este dinheiro vai embora para o centro urbano, a comunidade local se empobrece.

Um dos maiores perigos para a estabilidade de uma propriedade rural ou de uma comunidade¸ a poluição. A vida não se mantém onde não há água limpa, por exemplo. Visto que a poluição provém de produtos ainda não utilizados, podemos vê-la como uma fonte de renda em potencial quando se trata de esgotos, ou mesmo de sub-produtos industriais. Os agrotóxicos obviamente nunca oferecem um potencial para reciclagem (e deveriam ser banidos da face do planeta).

Precisamos responsabilizar-nos pelos nossos netos

Tivemos o privilégio de poder ainda desfrutar de florestas, de beber água limpa , de contemplar paisagens belas. Os nossos netos também têm este direito, e cabe a nós a responsabilidade de assegurar que estes direitos sejam respeitados. Isto pode sugerir muitas frentes de ação: conservação de áreas naturais ainda pouco modificadas pelo homem; desenvolvimento de uma forma de agricultura não devastadora; proteção das águas, especialmente do lençol freático. (Um rio pode-se limpar em poucos anos. Um lençol freático, uma vez poluído, dificilmente se limpa de novo). Em termos práticos, uma floresta desmatada leva entre doze a vinte anos para se recompor, e leva entre sessenta e duzentos anos para chegar a um estágio parecido ao original. Se colhermos somente as árvores no final do seus ciclos e plantarmos culturas adaptadas a estas condições de mata, podemos manter a cobertura vegetal e mesmo assim ter uma boa renda. Cada tipo de árvore tem as suas utilidades. Hoje, nos desmatamentos, a grande massa de madeira (com exceção das árvores mais conhecidas como o mogno) é desperdiçada.

Um agricultor pode muito bem plantar uma parte de sua propriedade com madeiras nobres, criando assim um patrimônio inabalável. Não importa se estas madeiras começarem a dar uma colheita daqui a vinte ou trinta anos: o agricultor, nesta época, já vai estar velho e as árvores podem garantir sua velhice, uma forma de aposentadoria particular. E como se pode colher as madeiras gradativamente, replantando ao mesmo tempo que colhe, ele cria um patrimônio para muitas gerações futuras.

Os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos no nível doméstico

Não há soluções em grande escala para problemas locais. Não há soluções tecnológicas para problemas que são basicamente sociais. Cada vez que uma família consegue se auto-sustentar, produzindo os seus próprios alimentos e reciclando os seus dejetos, esta deixa de participar da agricultura devastadora e deixa de poluir. Cada propriedade, mesmo bem pequena, pode captar água e produzir alimentos. As possibilidades são infinitas: podemos usar toda parede e até telhados das construções para produzir alimentos. Podemos captar água numa variedade de maneiras e reciclar toda água que utilizamos, fazendo-a render muito mais. Tomando como exemplo a perigosa falta de água potável: poucas pessoas se dão conta de que a descarga doméstica gasta 40% de toda a água consumida. Isto representa 100 litros de água por pessoa por dia! Pode-se imaginar a gravidade desta situação numa cidade de milhares ou milhões de pessoas. Podemos dar descarga com a água servida das pias ou do chuveiro, evitando assim este desperdício desastroso para toda a humanidade. Em áreas mais suburbanas ou rurais, podemos desenvolver privadas secas, das quais existem muitos modelos eficazes hoje. Lembrando que os esgotos são também grandes fatores de poluição de lagos, de rios e do mar, vemos a importância do tratamento doméstico dos efluentes através de filtros ou de sistemas com plantas. Uma aldeia (ou bairro) de 300 pessoas tem a capacidade humana de preencher todas as necessidades das pessoas do lugar. Mesmo numa situação urbana, pode-se aproveitar os espaços baldios para produzir alimentos e pequenos animais. Cada vez que isto ocorre, economiza-se petróleo e espaços naturais que hoje estão sendo desmatados para produzir alimentos em grande escala. Plantações pequenas e intensivas são muito mais produtivas em qualquer lugar do mundo. O pavor de falta de terras agrícolas é um mito: toda terra pode ser agrícola! O que se chama "agrícola" hoje são aquelas onde pode-se entrar com máquinas pesadas, comprovadamente destruidoras da estrutura do solo. De fato, as terras mais "agrícolas", em termos de produção, são aquelas frente à porta da cozinha! (é claro que o grande problema é o fato da agricultura se industrializar e ser vista como produtora de dinheiro. Isto levanta grandes problemas práticos, já que se destrói para ganhar a curto tempo. Isto vai acabar de fato somente quando houver ou uma pressão pública em massa ou quando tais sistemas não forem mais viáveis economicamente. Há sinais de que os dois processo estão acontecendo. O aumento de custos em petróleo e agrotóxicos faz com que a agricultura intensiva e orgânica hoje se torne muito mais lucrativa. Se os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos a nível doméstico, isto implica que nós podemos resolver os nossos problemas, não precisando de algum engenheiro ou outro especialista, ou o governo, etc. para dar as soluções. O poder da ação volta para as mãos do indivíduo, da família, ou da comunidade local.

Quando falamos em "energia", podemos pensar em calorias. Vários levantamentos tem mostrado que a agricultura industrializada é, em muitos casos, deficitária energeticamente: para cada caloria de alimento produzida, gastam-se duas a oito (ou mais!) calorias na forma de petróleo (transporte, insumos, máquinas agrícolas, etc.). Qualquer sistema deficitário, que seja em termos monetários ou energéticos, é fadado a falir, cedo ou tarde. Os sistemas permaculturais se tornam produtores energéticos de várias maneiras:

a) Produção intensiva em relação ao trabalho. Sistemas permanentes exigem poucas ou nenhuma máquina e pouco ou nenhum insumo, consumindo menos calorias do que produzem;

b) Produção para consumo local. Evitam-se assim gastos em transporte;

c) Utilização das energias do lugar (gravidade, transporte animal, sol, vento, etc.);

d) Reciclagem dos dejetos. Os fertilizantes industrializados são produzidos a partir do petróleo e exigem muitos gastos em transporte. Quando os insumos são produzidos localmente, evitam-se todos estes gastos;

e) Utilizando energias alternativas captadas no lugar: cozinhado com fogões solares e a lenha, biogás, painéis solares, etc.

Visa-se cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação

O espírito de cooperação é a grande chave para a recuperação da qualidade de vida no planeta. Vista em termos sociais, a cooperação nos leva a ver todo estranho como amigo em potencial, enquanto a competição nos ensina a ver todo estranho com adversário em potencial. Esta mudança de atitude traz mudanças de comportamento fundamentais. Na cooperação, a energia é gasta de uma maneira mais construtiva, somando a energia de uns com os outros, em vez de se anularem mutuamente, como é o caso da competição. Na agricultura, esta mudança de atitude também transforma o comportamento. Se uma praga ataca a lavoura, um agricultor que se baseia em cooperação com a natureza procurará compreender o porque deste ataque. A planta está enfraquecida? O inseto está com fome por falta de um posto natural? Chega-se até a plantar alimentos para o inseto considerado 'praga', reconhecendo que este, como todo ser natural, merece viver. Este convívio pacífico com a natureza faz com que o agricultor não precise mais declarar guerra química na sua propriedade, produzindo assim alimentos de qualidade e limpos, sem comprometer a qualidade da água nem do solo. A cooperação nos leva a ver tudo como sendo interligado. Não é: "eu contra você", mas "eu junto com você". Não é: eu contra a praga, mas eu trabalhando em conjunto com a natureza, dentro de um contexto. Desaparece o sentido da fragmentação, de ver um mundo como formado de peças separadas, passando a ver o mundo como um todo integrado, onde mudanças em um elemento dentro do sistema (agrícola ou social), modifica a situação de muitos outros elementos que estão interligados com este. Isto é o que transforma o sistema todo.

(texto adaptado do Instituto de Permacultura da Bahia)

A permacultura não é apenas uma técnica ou muito menos um pacote. É muito mais complexo que uma simples agricultura sem agrotóxicos, mais complexo que uma agricultura ecológica, ou sustentável, ou biodinâmica. É uma forma de viver que pode ou não envolver essas e outras técnicas. Ao mesmo tempo é muito mais simples por ser a conduta natural das coisas. Necessita apenas de uma observação sem máscaras, da natureza, sem pressa e com atenção. Sem preconceitos.


Fonte:

http://www.cca.ufsc.br/permacultura/


Os perigos da Monocultura

Os perigos da monocultura

A produção de biocombustíveis é promessa de ganhos para a economia brasileira. Mas, se não for bem planejada, pode fazer ressurgir extensas plantações de uma só cultura e trazer problemas como falta de alimentos e poluição

Em março de 2007, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e George W. Bush, dos Estados Unidos, assinaram acordo de cooperação bilateral para pesquisa e desenvolvimento de combustíveis produzidos com matéria orgânica, os biocombustíveis. Os dois países, que já são líderes na produção de combustível vegetal, saem, assim, na frente na corrida pela liderança do setor. A iniciativa abre novas perspectivas para o Brasil, pois o país é um dos mais adiantados nessa tecnologia, que vai determinar os rumos da produção mundial de combustíveis nos próximos anos.

No Brasil, a produção de biocombustível, em particular o etanol feito da cana-de-açúcar, vinha sendo impulsionada desde o início desta década pelo aumento da frota de veículos com motores flex, que funcionam com mais de um tipo de combustível.

Recentemente, houve novo estímulo à produção quando países ricos começaram a tornar público que pretendem adotar alternativas para os derivados de petróleo. As discussões ainda estão na mesa dos governos.

De concreto para o Brasil, já existe um acordo bilateral com a Alemanha para a produção de 100 mil veículos movidos a álcool. Ao importar os veículos do Brasil, os alemães terão como cumprir seu compromisso com o Protocolo de Kyoto, que prevê a redução da emissão de poluentes.

Plantio extensivo

A adoção de um biocombustível como o álcool em escala internacional traria benefícios econômicos ao Brasil. Ocorre que esses ganhos podem vir acompanhados de terríveis prejuízos sociais e ambientais, se não forem tomadas as medidas necessárias para evitar o pior. Isso porque a produção de combustível vegetal pode reconduzir o país à prática da monocultura da cana-de-açúcar.

A monocultura é o plantio extensivo de um único vegetal. Ela traz desvantagens ambientais ocorrem porque exaure o solo com o tempo e reduz a biodiversidade. As desvantagens sociais ocorrem porque reduz o uso da mão-de-obra no campo e afugenta as populações rurais.

E ainda há desvantagens econômicas, pois apresenta enormes riscos, já que uma única doença ou praga ou a queda do preço do produto no mercado podem pôr a perder toda a cadeia produtiva regional.

Apesar da multiplicidade do agronegócio brasileiro, pode-se dizer que em grandes áreas do país já se pratica a monocultura da soja, a principal estrela da agricultura nacional e responsável até 2005 por 44% de toda a área cultivada do país.

Hoje, no entanto, o maior temor é que o interesse internacional pelo biocombustível seja tão grande que a cana-de-açúcar se torne uma cultura predominante de extensão ainda maior do que a da soja. A produção de óleo em larga escala também exigirá o cultivo de enormes extensões, e cada produtor tende a escolher uma única planta, para facilitar e baratear o plantio.

O biodiesel pode ser produzido com óleos vegetais extraídos de diversas matérias-primas, como palma, mamona, soja, girassol, dendê e algodão, entre outras. Como se vê, o leque de recursos naturais no Brasil é muito grande, mas, dentre os vegetais mais adequados para a produção de biocombustível, está a cana - largamente conhecida pelos agricultores brasileiros há cinco séculos.

Liderança no setor

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e álcool.

Zumbi dos Palmares e o dia da Consciência Negra

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

Fonte:

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/zumbi_dos_palmares.htm

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CANUDOS

Guerra de Canudos

conselheiro - guerra de canudos Antônio Conselheiro - líder do Arraial de Canudos
Resumo
:
A situação de miséria e descaso político fez nascer no sertão nordestino, no final do século XIX, um movimento messiânico de grande importância. Liderados pelo beato Antônio Conselheiro, o grupo de miseráveis fundou às margens do rio Vaza Barris, um arraial. Este, longe do poder dos políticos, representou uma ameaça a ordem estabelecida pela recém inaugurada República. Logo, os canudenses foram atacados com toda força pelas tropas do governo.

As duas primeiras expedições enviadas pelo governo baiano contra o arraial entre 1896 e 1897 fracassam completamente. De março a outubro de 1897, outras duas expedições enviadas pelo governo federal e organizadas pelo Exército, a última com 6 mil homens e artilharia pesada, conseguem finalmente tomar e destruir Canudos. Junto com Conselheiro morrem milhares de combatentes e restam cerca de 400 prisioneiros, entre velhos, mulheres e crianças.

Guerra de Canudos

GUERRA DE CANUDOS

História da Guerra de Canudos, o líder Antônio Conselheiro, o messianismo no Nordeste do início da República,
conflitos sociais na História do Brasil

guerra de canudos
População miserável do Arraial de Canudos

A situação do Nordeste brasileiro, no final do século XIX, era muito precária. Fome, seca, miséria, violência e abandono político afetavam os nordestinos, principalmente a população mais carente. Toda essa situação, em conjunto com o fanatismo religioso, desencadeou um grave problema social. Em novembro de 1896, no sertão da Bahia, foi iniciado este conflito civil. Esta durou por quase um ano, até 05 de outubro de 1897, e, devido à força adquirida, o governo da Bahia pediu o apoio da República para conter este movimento formado por fanáticos, jagunços e sertanejos sem emprego.

O beato Conselheiro, homem que passou a ser conhecido logo depois da Proclamação da República, era quem liderava este movimento. Ele acreditava que havia sido enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e também com os pecados republicanos, entre estes, estavam o casamento civil e a cobrança de impostos. Com estas idéias em mente, ele conseguiu reunir um grande número de adeptos que acreditavam que seu líder realmente poderia libertá-los da situação de extrema pobreza na qual se encontravam.

Com o passar do tempo, as idéias iniciais difundiram-se de tal forma que jagunços passaram a utilizar-se das mesmas para justificar seus roubos e suas atitudes que em nada condiziam com nenhum tipo de ensinamento religioso; este fato tirou por completo a tranqüilidade na qual os sertanejos daquela região estavam acostumados a viver.

Devido a enorme proporção que este movimento adquiriu, o governo da Bahia não conseguiu por si só segurar a grande revolta que acontecia em seu Estado, por esta razão, pediu a interferência da República. Esta, por sua vez, também encontrou muitas dificuldades para conter os fanáticos. Somente no quarto combate, onde as forças da República já estavam mais bem equipadas e organizadas, os incansáveis guerreiros foram vencidos pelo cerco que os impediam de sair do local no qual se encontravam para buscar qualquer tipo de alimento e muitos morreram de fome. O massacre foi tamanho que não escaparam idosos, mulheres e crianças.

Pode-se dizer que este acontecimento histórico representou a luta pela libertação dos pobres que viviam na zona rural, e, também, que a resistência mostrada durante todas as batalhas ressaltou o potencial do sertanejo na luta por seus ideais. Euclides da Cunha, em seu livro Os Sertões, eternizou este movimento que evidenciou a importância da luta social na história de nosso país.

Conclusão : Esta revolta, ocorrida nos primeiros tempos da República, mostra o descaso dos governantes com relação aos grandes problemas sociais do Brasil. Assim como as greves, as revoltas que reivindicavam melhores condições de vida ( mais empregos, justiça social, liberdade, educação etc), foram tratadas como "casos de polícia" pelo governo republicano. A violência oficial foi usada, muitas vezes em exagero, na tentativa de calar aqueles que lutavam por direitos sociais e melhores condições de vida.

A ligas camponesas

As Ligas Camponesas foram associações de trabalhadores rurais criadas inicialmente no estado de Pernambuco,
posteriormente na Paraíba, no estado do Rio.de Janeiro, Goiás e em outras regiões do Brasil, que exerceram intensa
atividade no período que se estendeu de 1955 até a queda de João Goulart em 1964.

O movimento que se tornou nacionalmente conhecido como Ligas Camponesas iniciou-se, de fato, no engenho
Galiléia, em Vitória de Santo Antão, nos limites da região do Agreste com a Zona da Mata de Pernambuco. A propriedade
congregava 140 famílias de foreiros nos quinhentos hectares de terra do engenho que estava de "fogo morto". O
movimento foi criado no dia 1º. de janeiro de 1955 e autodenominou-se Sociedade Agrícola e Pecuária de Plantadores
de Pernambuco (SAPPP). Coube a setores conservadores, na imprensa e na Assembléia, batizar a sociedade de "liga",
temerosos de que ela fosse a reedição de outras ligas que, em período recente (1945-1947), haviam proliferado
abertamente na periferia do Recife e nas cidades satélites, sob a influencia do Partido Comunista Brasileiro, então
Partido Comunista do Brasil (PCB). De fato, o movimento de Galiléia parece ter recebido influencia desses antigos
núcleos, geograficamente próximos, sobretudo através de José dos Prazeres, dirigente da antiga Liga de Iputinga, nos
arredores de Recife.

A partir de 1959 as Ligas Camponesas se expandiram também rapidamente em outros estados, como a Paraíba, estado
do Rio (Campos) e Paraná, aumentando o impacto político do movimento. Dentre esses núcleos, o mais importante foi
o de Sapé, na Paraíba, o mais expressivo e o maior de todos. A expansão da Liga de Sapé se acelerou a partir de 1962,
quando foi assassinado seu principal líder, João Pedro Teixeira, a mando do proprietário local. Pouco depois esse
núcleo congregaria cerca de dez mil membros, enquanto outros núcleos iriam se espalhar pelos municípios limítrofes.

Entre 1960 e 1961, as Ligas organizaram comitês regionais em cerca de dez estados da Federação. Em 1962 criou-se o
jornal A Liga, porta-voz do movimento, que pretendia ter uma difusão nacional, mas que na realidade permaneceu ligado
a um número reduzido de leitores, que eram os próprios militantes do movimento. Também nesse ano fez-se uma
tentativa de constituir um partido político que se chamou Movimento Revolucionário Tiradentes. O que ocorreu, no
entanto, é que enquanto as reivindicações camponesas pela terra, advogadas pelas Ligas, ganhavam corpo, as
pretensões políticas da cúpula do movimento se esvaziavam diante de um movimento sindical organizado e mais ligado à
Igreja e ao Estado.
No plano nacional o maior destaque coube à liderança de Francisco Julião, que aglutinou o movimento em torno de seu
nome e de sua figura, reunindo estudantes, idealistas, visionários, alguns intelectuais, além de nomes como os de
Clodomir de Morais, advogado, deputado, ex-militante comunista e um dos organizadores de um malogrado movimento
de guerrilha sediado em Dianópolis, em Goiás (1963).

As Ligas Camponesas foram massacradas e exterminadas após o golpe militar de 1964.

História do MST

Nossa História

7 de julho de 2009

25 anos do Movimento Sem Terra

Há 25 anos atrás, em Cascavel (PR), centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela Reforma Agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país. Eram posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores... Trabalhadores rurais sem terras, que estavam desprovidos do seu direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo brasileiro, capitaneado pela ditadura militar, que então cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade. Um projeto que anunciava a “modernização” do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais.

Mas seria injusto dizer que começamos ali. A semente para o surgimento do MST talvez já estivesse lançada quando os primeiro indígenas levantaram-se contra a mercantilização e apropriação pelos invasores portugueses do que era comum e coletivo: a terra, bem da natureza. Como imaginar o Movimento Sem Terra hoje, sem o exemplo de Sepé Tiarajú e da comunidade Guarani em defesa de sua terra sem Males. Ou da resistência coletiva dos quilombos ou de Canudos? Da indignação organizada de Contestado? Como imaginar nosso movimento sem o aprendizado e a experiência das Ligas Camponesas ou do Movimento de Agricultores Sem Terra - Master. Por tudo isso, nos sentimos herdeiros e continuadores de suas lutas.

E somos também parte das lutas que nos forjaram no nosso nascimento. Do sindicalismo combativo, da liberdade política e das Diretas-Já em 1984, quando já em nosso primeiro Congresso afirmávamos que “Sem Reforma Agrária não há democracia”. E com este ímpeto, nos empenhamos também na construção da nova constituinte, aprovada em 1988, quando conquistamos, entre outras vitórias, os artigos 184 e 186, que garantem a desapropriação de terras que não cumpram sua função social.

Os lemas dos Congressos Nacionais do MST - realizados de cinco em cinco anos - refletem as elaborações coletivas, as lutas e projetos do Movimento. Refletem também o momento ao qual o nosso país está passando, e a situação da classe trabalhadora camponesa e seus desafios.

Desde cedo, conhecemos o atraso, a raiva e a violência do latifúndio. Uma ira que ceifou a vida de mais de mil trabalhadores e defensores da Reforma Agrária nos últimos dez anos. E assim, nos levaram valorosos companheiros e companheiras... Padre Josimo, Dorcelina Folador, Roseli Nunes, Fusquinha, Doutor, Oziel, Antônio Tavares...

Um latifúndio que não se envergonhou de aparecer publicamente e oficialmente como União Democrática Ruralista (UDR) defendendo a violência armada contra a Reforma Agrária e à todas e todos aqueles que lutavam por ela. Ao mesmo tempo em que fincava seus interesses no Congresso com a bancada ruralista.

Cedo, aprendemos também que os interesses do latifúndio encontravam nos aparatos do Estado suas melhores ferramentas de repressão ou omissão. Foi assim, com o I Plano Nacional de Reforma Agrária, no Governo Sarney, em que apenas 6% da meta de assentamentos foi cumprida - cerca de 90 mil famílias - ainda assim, graças à pressão das ocupações da terra. E quando não recorria à burocracia e à falta de vontade política para inviabilizar a Reforma Agrária, o Estado omitia-se ou estimulava a violência. Assim foram os anos de Fernando Collor na Presidência da República, com despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias.

Nossa resposta estava na organização, na expansão do Movimento nacionalmente, no avanço na área de produção. Como dizia o lema de nosso II Congresso, em 1990, “Ocupar, Resistir e Produzir”.

Nestes piores momentos de repressão, desde os nossos primeiros acampamentos, é que conhecemos o valor da solidariedade. Expresso de forma organizada por meio das ações de sindicatos, partidos, da Comissão Pastoral da Terra ou muitas vezes anônima, nos gestos de milhares de apoiadores e simpatizantes de nossa luta. Como as cem mil pessoas que nos receberam em Brasília, na chegada da Marcha Nacional por Reforma Agrária, em 1997. Naquele momento, lembrávamos um ano do assassinato de dezenove companheiros em Eldorado de Carajás, no Pará. Crime que permanece impune até hoje.

Nos forjamos, portanto, dentro deste princípio de solidariedade. Compreendendo que a Reforma Agrária não é uma luta por benefícios apenas para os camponeses, mas uma forma de melhorar a vida dos que vivem nas cidades, com a redução do inchaço urbano e, principalmente, com a produção de alimentos sadios e acessíveis aos trabalhadores. Expressamos esta idéia em nosso III Congresso (1995), com a palavra de ordem “Reforma Agrária. Uma luta de todos”. E com estes lutadores e lutadoras do povo, compreendemos que a Reforma Agrária não poderia ser uma política isolada das demais transformações que o povo brasileiro necessita. Que era necessário construir um Projeto Popular para o Brasil. E que nossa contribuição para este país mais justo e soberano estava nas declarações do nosso Congresso seguinte, “Reforma Agrária. Por um Brasil sem Latifúndio” (2000).

Esta palavra de ordem estava materializada no outro Brasil que queremos construir no cotidiano. Está nas mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. Estão nas 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade e baixo preço nas cidades. Um outro país que construímos com 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação à mais de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terras ou que alfabetizaram 50 mil adultos e jovens nos últimos anos. Ou ainda, nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.

O país que queremos construir para todos já está presente hoje, quando podemos nos orgulhar em dizer que nenhuma criança passa fome nos assentamentos de Reforma Agrária. Uma realidade para 350 mil famílias que conquistaram a terra e resgataram sua dignidade ao longo destes 25 anos.

É certo que já fizemos muito. Mas, outros desafios que sequer sonhávamos em enfrentar se colocam à nossa frente. A agricultura sofreu mudanças drásticas com os oito anos de neoliberalismo do governo Fernando Henrique Cardoso. E pouco desta lógica foi alterada com o governo Lula. Os mecanismos do Estado para a agricultura foram sendo desmantelados um a um: o controle dos preços, o abastecimento, a pesquisa, a assistência técnica. Se antes eles eram acessíveis à poucos, hoje sequer existem. O neoliberalismo na agricultura foi abrindo caminho para que poucas empresas estrangeiras - todas pertencentes aos bancos estrangeiros -, passassem a controlar nossa agricultura. Desde as sementes à comercialização. Incorporaram terras, agroindústrias, supermercados... Definem preços de alimentos nas bolsas de valores e transformam novamente nosso país em uma grande colônia.

No lugar de alimentos, as terras passam ser ocupadas pela cana-de-açúcar - para combustível nos Estados Unidos, por soja - para ração de animais na Europa e pela celulose - para papel em todo o mundo. As monoculturas tomam e redividem nosso território, inflam o preço da terra, reduzem a produção de alimentos e geram uma grande crise mundial de alimentação.

Um cenário que se repete – sem mudarem as empresas, apenas as monoculturas – nos cinco continentes. Expulsando camponeses e afetando o abastecimento de alimentos para os trabalhadores nas cidades.

Assim, a luta por Reforma Agrária foi se tornando cada vez mais internacional, porque os empecilhos para a democratização do acesso à terra não estavam apenas no Brasil – no Estado ou nas ações dos latifundiários – mas eram também parte dos movimentos do capital financeiro internacional. E a resposta à globalização da miséria, veio na forma da globalização da luta, por meio da Via Campesina, que congrega os movimentos camponeses de todo mundo em torno da Reforma Agrária e da soberania alimentar, ou seja, do direito de que os povos – e não os mercados - decidam o que produzir e possam garantir a alimentação de todos.

Assim, aquele latifundiário improdutivo se associou com o capital financeiro internacional. Mas não perdeu sua natureza violenta e opressora. Esta natureza se manifestou, por exemplo, quando milícias da empresa suíça Syngenta Seeds assassinaram Valmir Motta, o Keno, no Paraná. Keno e tantas outras famílias denunciavam a contaminação transgênica do Parque Nacional do Iguaçu e queriam construir ali, uma área de produção agroecológica. E também quando as mulheres da Via Campesina foram reprimidas quando denunciaram a monocultura da celulose no sul do país. Violência que indígenas, quilombolas e sem terras testemunham diariamente pelas mãos da Vale do Rio Doce em suas comunidades, destruindo o meio ambiente de forma acelerada para remeter mais lucros para as bolsas no hemisfério norte.

Para finalmente realizarmos uma Reforma Agrária verdadeira em nosso país, é preciso agora enfrentar o agronegócio e os interesses do capital internacional. Realizar a Reforma Agrária que defendemos é libertar estas terras para produzir alimentos, é criar condições dignas de vida no campo e na cidade, é construir uma sociedade em que o nosso povo tome seu destino pelas mãos e decida o seu caminho. E é por isso que nosso V Congresso afirma que lutamos por “Reforma Agrária, por Justiça Social e Soberania Popular”

Completar 25 anos e se tornar o mais antigo movimento camponês já existente na História do Brasil, tem estes significados. É reafirmar os valores de solidariedade; é reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária; é manter aceso o legado de milhares de lutadores e lutadoras do povo; é exercer cotidianamente a capacidade de se indignar e agir para transformar; é não perder o valor do estudo e aprender sempre. E, fundamentalmente, é reafirmar nosso compromisso em organizar os pobres do campo.

Completar 25 anos é motivo de celebração, mas é também momento de olhar adiante. De perceber que muito já foi feito e que há muito a se fazer, até que uma verdadeira e efetiva Reforma Agrária seja realizada em nosso país e que todos os seres humanos possam ter uma vida digna.

A Vale e os eucaliptos

A Vale e os eucaliptos

29 de janeiro de 2008

Da Radioagência NP

A Vale – antiga Companhia Vale do Rio Doce - anunciou que irá plantar 346 milhões de árvores nos países onde atua. Serão 300 mil hectares, área equivalente a duas a cidade de São Paulo, sendo 50% de eucalipto e 50% de florestas naturais. Só no Brasil, serão 345 milhões de árvores. O estado do Pará sofrerá o maior impacto, recebendo mais de 99% delas. O objetivo é plantar todas estas árvores até 2015.

Mas o que motiva a mineradora Vale investir em árvores? Em entrevista, o economista e integrante da Rede Alerta contra o Deserto Verde, Hélder Gomes, aponta os créditos de carbono como a motivação de ganhos a curto prazo da Vale, mas também aponta outras possibilidades de lucro no futuro alem de abordar os impactos de tamanho investimento na monocultura do eucalipto. Confira a entrevista a seguir.

O que são estes créditos de carbonos?

É um mercado novo, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, e que as empresas em um acordo internacional acabaram resolvendo que empresas poluidoras teriam que fazer algum tipo de compensação à emissão de carbono. E aí se criou este mercado de certificação, [ou seja] o reconhecimento de que alguns projetos, tanto na área de reflorestamento como de energia alternativa, receberiam um certificado que dá direito a crédito em recursos monetários. Isso virou um grande negócio, que tem uma alta rentabilidade para as empresas. Inclusive elas jogam muito bem com isso na hora de decidir aonde investir, porque aí pressiona os governos para receber benefícios fiscais e financiamento subsidiado, mas do ponto de vista ambiental é bastante questionável essa solução.

Como essas plantações podem prejudicar o meio ambiente?

Produzir árvores para fazer carvão não tem muita validade, porque quando você queima o carvão, você emite gás. E produzir árvores, não com florestas nativas, nem permanentes, mas produzir árvores para o mercado, [não adianta pois] quando você cortar árvore com seis, sete anos, você acaba sugando muito recurso hídrico do solo. Então você tem um efeito ambiental muito perverso e que tentam dar uma conotação ecológica.

Além dos créditos, existe outra razão para a Vale investir em eucaliptos?

A Vale está entrando fortemente no negócio siderúrgico no Brasil. Associada ao capital estrangeiro, com participação acionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com projeto no Nordeste, na Amazônia e inclusive no Espírito Santo, já estão projetando uma nova usina siderúrgica no sul. A Vale associada ao capital chinês. Então, ao mesmo tempo que fatura com créditos de carbono, ela já pensa em fontes de energia para sua própria produção. E o eucalipto tem destinação diversa. Além da celulose para papel, o eucalipto serve como carvão para siderurgia. Existe uma pesquisa mais avançada para converter, por meio de uma hidrólise, a celulose em etanol combustível.

Quais impactos este investimento pode trazer?

As monoculturas no geral trazem, além do impacto ambiental muito grande – [pois] o insumo básico é a água, tanto para eucalipto, como para cana de açúcar e outros - traz um problema social muito grave também, na medida em que as monoculturas exigem uma apropriação do território e isso tem efeitos perversos sobre a questão fundiária. Então, ao invés de você promover uma redistribuição da propriedade da terra, você acaba concentrando ainda mais a terra em grandes latifúndios. O efeito é devastador. Aqui no Espírito Santo nós temos municípios que tem 70% do seu território já ocupados com essas monoculturas. Conceição da Barra, por exemplo, é 70% eucalipto e 20% cana. E a cana [está] em expansão agora com o etanol.

O que vocês pretendem fazer?

Nós vamos planejar as ações de 2008 da Rede Alerta Contra o Deserto Verde. Não só do Espírito Santo, mas da Rede Alerta nacional, envolvendo além do Espírito Santo, o estado da Bahia, Minas Gerais, Rio e Rio Grande do Sul. E há a possibilidade de já em março a gente ter atividades de mobilização e de ações concretas para se posicionar contra projeto.

LIGAS CAMPONESAS

FRANCISCO JULIÃO

"Eles eram como um punhado de areia que, jogada,

se desfazia no ar. Liga seria o cimento capaz de unir essa areia

e transformá-la em sólido bloco."

Francisco Julião Arruda de Paula nasceu em 16 de fevereiro de 1915, no Município de Bom Jardim, em Pernambuco, e passou a sua infância na fazenda Boa Esperança ou Espera.

Estudou em colégio interno no Recife e ingressou na Faculdade de Direito do Recife aos 18 anos, embora considerasse a medicina como a sua vocação. Na mesma época, comprou, junto com um colega, o Colégio Monsenhor Fabrício, em Olinda, tendo atuado como diretor e professor primário.

As idéias progressistas e revolucionárias que encontrou na Faculdade o influenciaram, fazendo-o começar a pensar em defender os camponeses. Já que não pude fazer cirurgia em um hospital, vou tentar fazer uma cirurgia nesta sociedade que está enferma, e ver se é possível rasgar esse tumor, que é o camponês pobre, sem terra, abandonado, sem justiça, sem nada, pensava Julião. Ele considerava que sem a participação dos camponeses, não se poderia imaginar uma transformação da sociedade brasileira.

Antes de deixar a universidade, em 1939, convidou alguns colegas para montar um escritório de advocacia e trabalhar em defesa dos camponeses. Nenhum aceitou a proposta, e, em 1940, Francisco Julião foi sozinho para o campo, com a idéia de que era preciso criar entre os camponeses a consciência de seus direitos.

Na zona canavieira nordestina, constatou que muitos senhores de engenho alugavam terras. Uma parte delas era destinada aos que deviam trabalhá-la todos os dias. Esse tipo de trabalhador era chamado de eiteiro e recebia um pagamento em dinheiro. Outros alugavam a terra, pagando uma importância em dinheiro por ano, ficando ainda na obrigação de trabalhar certos dias para o senhor da terra, sendo denominados de foreiros. No Nordeste, a palavra “cambão“ expressa o dia de trabalho que o foreiro dá ao patrão sem receber nada em troca.

Num trabalho persistente, Francisco Julião procurava convencer os camponeses de que eles não deveriam mais trabalhar sem pagamento, por ser ilegal, comprometendo-se a defendê-los na Justiça, se fosse necessário. Para ele, era evidente a necessidade de organizar e unificar os camponeses. Foi eleito Deputado Estadual, em 1954, pelo Partido Socialista Brasileiro. Em janeiro de 1955, foi procurado por camponeses do Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, fundadores da Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco, que precisavam de um advogado. Julião assumiu, então, o compromisso de defendê-los. Em breve, a Sociedade se tornaria a primeira Liga Camponesa.

A expressão Ligas Camponesas surgiu nos jornais e representava a reação dos usineiros e latifundiários, que queriam colocar essas associações na ilegalidade. Foi um movimento importante, que sensibilizou as massas em toda parte do Nordeste. Julião preocupava-se em incorporar os camponeses ao processo de desenvolvimento da democracia brasileira. Os primeiros sindicatos foram organizados pelas Ligas, e Francisco Julião preparou diversos processos, possibilitando a fundação de inúmeros sindicatos em toda a zona canavieira.

Em 1962, elegeu-se Deputado Federal. Após o golpe de 31 de março de 1964, permaneceu três meses na clandestinidade, antes de ser preso perto de Brasília. Permaneceu em diversas prisões durante 18 meses. Exilado, deixou o Brasil em 30 de dezembro de 1965.

Durante 15 anos, foi exilado político no México, após ver recusado pedidos de asilo na antiga Iugoslávia (devido a um conflito entre o país e Cuba, uma vez que eram conhecidas as relações cordiais que Julião mantinha com o dirigente cubano) e no Chile. Julião ainda procurou a embaixada da Argélia, mas problemas internos de ordem política iriam retardar uma decisão. Finalmente, com a ajuda do amigo e escritor Antônio Calado, conseguiu fazer contato com a embaixada mexicana e ser aceito pelo país.

No México, sentiu a forte presença camponesa e chegou a realizar pesquisa, no Estado de Morelos, com os velhos soldados de Zapata, sobreviventes da Revolução Mexicana de 1910.

A anistia política, decretada em 1979, possibilitou a sua volta ao Brasil. Na década de 1980, participou das lutas pela redemocratização do país. Por meio das Ligas Camponesas, inspirou o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e outros movimentos políticos e sociais empenhados na melhoria de vida do povo brasileiro.

Francisco Julião escreveu vários livros: Cachaça (contos, 1951), Irmão Juazeiro (romance, 1961), Que são as Ligas Camponesas (1962), Até quarta, Isabela (1964), Cambão (1975), Guia do camponês, ABC do camponês, Cartilha do camponês, Carta de alforria do camponês, Bença, mãe. Diversos foram traduzidos para outros idiomas.

Julião foi pioneiro em combater o tipo de estrutura latifundiária existente no Brasil e procurou criar uma consciência nacional sobre o problema agrário. De suas metas destacam-se: as lutas pela reforma agrária e pela libertação do camponês.

A partir de 1990, passou a morar no Rio de Janeiro e, posteriormente, voltou ao México. Era casado e teve seis filhos. Faleceu, vítima de um enfarte agudo, no dia 10 de julho de 1999, aos 84 anos, no povoado mexicano de Tepoztlán, perto de Cuernavaca. Sua morte repercutiu intensamente no Brasil e no exterior.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Cultura de monocultivo é sempre um risco

9 de março de 2007

Na manhã de terça-feira, dia 6, as mulheres da Via Campesina realizaram quatro ocupações de terra no Rio Grande do Sul. As manifestações fizeram parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Via Campesina. As mulheres lutam pelo fim do "deserto verde" que prejudica tanto as pequenas plantações e o clima do planeta. Em entrevista, a bióloga Luiza Chomenko, fala sobre o problema das monoculturas, as alternativas para o agronegócio e a silvicultura no Rio Grande do Sul.

Entrevista realizada pelo site IHU On Line

Confira a entrevista.

Hoje, um grande grupo da Via Campesina realizou quatro ocupações no RS para denunciar que o "deserto verde" está acabando com as pequenas propriedades e destruindo o solo do estado. Como a senhora vê esse aumento da plantação de eucaliptos nos Estados e quais são as conseqüências?

Luiza Chomenko - A questão dos cultivos de monoculturas, independente do que seja plantado, é sempre um risco. Seja ele ambiental (risco direto à biodiversidade e a recursos abióticos que lhe dão sustentação) ou sanitário (se ocorrer algum problema decorrente de clima ou doença). Isso porque quando há policultivos as perdas se resumem a uma parte das culturas, se houver apenas um tipo sendo cultivado, o risco de perda total é direto. Podendo ser também um risco cultural (as populações locais terão de se adaptar ao novo modelo de uso da terra) ou econômico (dependência direta de mercado e de outros fatores que poderão desconsiderar as realidades locais).

A introdução de grandes áreas de monoculturas de árvores exóticas poderá introduzir esses temas em toda uma região que, até agora, tem sido um exemplo de ocupação em um processo que tem, até certo modo, permitido a existência e permanência de populações locais e características ambientais muito importantes e específicas.

A “metade sul” do Rio Grande do Sul corresponde aproximadamente àquilo que se denomina bioma pampa, o qual é o único do Brasil que ocupa apenas um Estado brasileiro, tendo especificidades e potencialidades imensas. Estes aspectos, muitas vezes, são desconsiderados e, no caso específico da silvicultura, existem inúmeros estudos em centros de pesquisas e de regulamentação legal, os quais ainda não estão concluídos. As empresas vêm implantando seus cultivos sob o argumento de que, caso seja necessário, posteriormente poderão ser feitas correções, tendo uma abordagem no mínimo questionável.

Quem trabalha com meio ambiente sabe que, em dadas situações, após um certo impacto ser produzido, pode não haver remediação da situação. Neste caso, caberia uma reflexão sobre a forma certa de se tratar este tema. Minha opinião é que, em muitas situações, estão ocorrendo procedimentos inadequados dos muitos atores envolvidos e está faltando uma mão forte que junte os mais distintos interesses e a tentativa de se encontrar uma forma intermediária que avalie a forma correta de desenvolver as regiões, respeitando as especificidades locais e, principalmente, implantando nelas modelos compatíveis com suas características, não apenas trazendo os ditos modelos “globais”, que não são sustentáveis.

Muito em breve, estes modelos poderão ser, justamente, um fator adverso à economia brasileira, pois uma das grandes “moedas de troca” no planeta vem sendo a questão ambiental. O Brasil, sendo detentor de imensas reservas de recursos naturais, não tem o direito de desperdiçá-las em nome de um desenvolvimento imediato. O Brasil não tem pensado no amanhã.

Que alternativas a senhora sugere para o agronegócio, já que, atualmente ele está interrompendo o processo de reforma agrária e impedindo a agricultura camponesa?

Luiza Chomenko - Como referi nas questões anteriores, muito do que se diz sobre o “agronegócio” hoje está diretamente relacionado com modelos “globais” de desenvolvimento que não consideram as especificidades locais. Eu me permitiria questionar mais uma vez a própria denominação “agronegócio”, pois esta palavra virou sinônimo de alguns tipos de cultivos, geralmente ligados a poucos grandes grupos empresariais.

Ora, os agronegócios podem também ser produtos oriundos da pequena propriedade e direcionados para mercados mais restritos, ou não? Aqui se colocam em jogo interesses privados de alguns setores, deixando-se de se levar em conta as realidades e potencialidades locais. O Brasil, sendo um país continental, que tem milhares de comunidades humanas ligadas ao setor rural, não pode se dar ao luxo de desconsiderar esse panorama. Obviamente, temos um imenso potencial de tratar de grandes propriedades, mas pergunto: Por que não valorizamos nossas realidades típicas que levem em conta nossa abundância de recursos naturais e humanos?

O modelo vigente é cruel e altamente dependente de insumos externos, geralmente também fazendo parte do “pacote tecnológico”, que vem sendo expandido pelo planeta. No momento em que, por qualquer motivação, houver problemas em alguma região que detenha o “domínio” da situação, todo mundo sofre as conseqüências. Devemos, sempre, levar em conta que o Brasil é uma fonte de riquezas – naturais, culturais e humanas – e, sempre que se estiverem desconsiderando estes fatores, o modelo não é sustentável nem viável.

A senhora acha que o solo gaúcho tem condições de manter tantos hectares no cultivo de silvicultura? Quais são as conseqüências disto?

Luiza Chomenko - Este tema tem sido amplamente discutido nos últimos meses e é importante que a discussão seja cada vez mais ampliada, envolvendo todos os setores da sociedade. O zoneamento que está sendo feito por profissionais da FEPAM, FZB e outras instituições, busca exatamente identificar os locais adequados para as plantações. Então, caso se pense numa forma correta, pode-se afirmar que, em algumas partes do Estado, é possível se implantar silvicultura sem ampliar problemas já existentes.

Entretanto, considerando a realidade atual, é altamente preocupante o que se vê, pois as plantações vêm sendo ampliadas sem cuidados prévios sejam tomados. Certamente, teremos conflitos imensos, com conseqüências desastrosas, e, por vezes, situações irreversíveis.

Algumas conseqüências já podem ser observadas, como a falta de água em algumas regiões, empobrecimento do solo - com necessidades de constantes acréscimos de insumos -, redução de potencialidade de usos atuais ou até eliminação de outros usos que vêm sendo mundialmente valorizados e que têm em conta a constante integração homem/natureza. As conseqüências são inúmeras e envolvem aspectos tanto de ordem ambiental, quanto de ordem social, cultural e econômica.

Resta, ao fim, se perguntar a quem efetivamente interessa um modelo de desenvolvimento nesses moldes e que vantagens o Rio Grande do Sul e o Brasil têm. Um fator adicional às plantações, sobre as quais muito se tem referido, é a implantação posterior de fábricas de celulose e toda gama de problemas decorrentes destas situações, pois estarão criando novas fontes de impactos adversos com tendência a aprofundar as preocupações no que tange aos conflitos em relação às realidades locais.

De tudo o que se falou, é fundamental salientar que cada vez mais se faz necessária uma ampla discussão com toda sociedade para que ela também participe, tome decisões e cobre dos setores responsáveis, medidas que respeitem seus direitos como consumidores e cidadãos. Este é um elo de uma cadeia que pretende manter o planeta sustentável ainda por muitas gerações.

Na próxima semana, a senhora irá palestrar sobre o "Aquecimento Global no cotidiano". Como o tema será tratado?

Luiza Chomenko - O tema aquecimento global vem sendo tratado como algo que está muito distante de nossa realidade e que não terá maiores efeitos sobre nossas vidas. O que não se tem verificado é uma adequada percepção de alguns aspectos relacionados ao cotidiano e que já são o efeito – embora ainda pequeno – das mudanças que estão por vir. Por outro lado, a população, de uma forma geral, não está se dando conta que de tudo o que se aproxima, em termos de mudanças climáticas, é conseqüência de um modelo de comportamento altamente predador e auto-destruidor. Parte destas questões é culpa de cada pessoa, mas também isto decorre das formas como as informações chegam ao destino final. Desta forma, o que será abordado será uma visão integrada (ou integradora) de saberes já disponíveis a partir de pesquisas e estudos científicos e uma forma de estimular percepções de nossos modelo de consumo e comportamento no dia-a-dia.

Como a senhora vê a sociedade tratar essa questão que só recebeu atenção da mídia neste ano após o relatório das Nações Unidas e do documentário do ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, "Uma Verdade Inconveniente"?

Luiza Chomenko - A sociedade, de uma maneira geral, não vê e nem trata deste tema. Alguns setores da sociedade o percebem, mas isto está longe de significar que algo esteja sendo feito para ajudar a reduzir o problema. Veja que a situação chegou num ponto muito crítico e todas as informações identificadas, a partir de estudos especializados, vêm indicando que a situação é irreversível. Ora, isto não significa que se pode aumentar o problema. Há que se estimular ações que possibilitem frear esta situação ou, no mínimo, reduzir seus impactos. De outra forma, é preciso começar a identificar estratégias e formas de agir que permitam uma adaptação das populações humanas ao novo momento que está chegando e que, com certeza, vai interferir na vida do planeta, considerando-se aspectos ambientais, sanitários, sociais, culturais ou econômicos.

A senhora afirma que o modelo de consumo atual é a causa desta tragédia que se inicia. O que a senhora imagina deva ser feito para minimizar as conseqüências do aquecimento global?

Luiza Chomenko - Este será o tema de uma apresentação que farei no próximo dia 14, num evento na Assembléia Legislativa em Porto Alegre. Inicialmente, identificarei uma forma de estimular que ocorra uma efetiva percepção por parte da população em geral (em todos segmentos de uma sociedade) e não apenas daqueles indivíduos diretamente envolvidos com o tema, como, por exemplo, cientistas, mídia em geral ou, eventualmente, políticos e tomadores de decisão. Alguns aspectos básicos tratam disso como sendo “consumo consciente”, que implica a aquisição de produtos realmente necessários, preferencialmente aqueles com alguma identificação de “ambientalmente compatível/amigável”, que economize energia, poupe água etc.

Outra questão importante é o próprio modelo de utilização de transportes. Veja que se discute muito atualmente a mudança de tipo de combustível, mas nunca se trata do modelo de transportes. Atualmente, há várias formas de se abordar tais questões, mas um ponto importante é que realmente as pessoas passem a perceber que o planeta está mudando, e cabe a nós uma parte da responsabilidade de conservá-lo para as futuras gerações.

Luiza Chomenko é doutora em biogeografia pela Universität Der Saarland, na Alemanha. Atualmente faz parte do corpo docente da UNILASALLE, em Canoas, no Rio Grande do Sul. É, também, bióloga da FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler, cedida por convênio para o Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

fonte:

www.mst.org